“A escola que não proporciona aos alunos o contato com a
leitura, não ensina a ler” (PIMENTEL, BERNARDES, SANTANA, 2007)

“Biblioteca não é depósito de livro” (PERROTI, 2006)

Durante a minha formação acadêmica tive a grande satisfação de assistir aula com o professor Edmir Perroti. Participei de um minicurso ministrado por ele na época do Mestrado em linguagem e Ensino, na Universidade Federal de Campina grande (UFCG), no ano de 2009. Fiquei encantada. Nunca vi alguém falar com tanto amor e autoridade sobre o espaço da biblioteca. Puxa, ouvir o professor Perroti mudou minha concepção sobre o que é, e como deve ser usada a biblioteca. Uma coisa ficou marcada na minha memória, “biblioteca não é depósito de livro”. E mais, “livro não é sagrado”, portanto, pode e deve ser manuseado.
Atualmente, Perroti é professor aposentado da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Ciência da Informação, atuando principalmente nos seguintes temas: leitura, educação e cultura, apropriação de informação e biblioteca, discutindo seu papel pedagógico no espaço escolar.
Para Perroti (2006) , a pessoa que trabalha na biblioteca não precisa ser alguém superespecializado, mas alguém que compreenda a importância da leitura e da escrita na vida das pessoas. Isso implica dizer que, embora a escola não se exija uma formação específica, e quase sempre não há, para aquela pessoa que vai trabalhar na biblioteca, isso não quer dizer que “qualquer” pessoa possa exercer esse ofício. É preciso ter cuidado na escolha deste profissional, pois, como bem afirma o pesquisador (2006), a “biblioteca precisa ter outra finalidade que não seja simplesmente a de um depósito de onde se retiram livros que depois são devolvidos”.

O que é uma biblioteca?

Segundo o dicionário Houaiss , biblioteca pode ser uma coleção de livros; ou ainda, recinto onde ficam depositadas, ordenadas e catalogadas diversas coleções de livros, periódicos e outros documentos, que o público, sob certas condições, pode consultar no local ou levar empréstimo para devolução posterior.
Lembramos que a palavra biblioteca tem sua origem nos termos gregos biblíon (livro) e theka (caixa). Segundo informações do site mundo estranho , a biblioteca mais famosa da Antiguidade foi a da cidade egípcia de Alexandria. Foi fundada no ano de 280 a.C, tinha a ambição de reunir em um só lugar todo o conhecimento humano. Seu acervo era constituído de rolos de papiro manuscritos – aproximadamente 60 mil, contendo literatura grega, egípcia, assíria e babilônica. No entanto, a biblioteca começou a ruiu a partir do século 3, quando o imperador romano Aureliano invadiu Alexandria. Mais adiante com o califa Omar:

No ano de 642, o general árabe Amr ibn al-As conquistou a cidade e perguntou a seu soberano, o califa Omar, o que fazer com os livros. O califa disse que o único livro indispensável era o livro de Alá – o Alcorão, obra sagrada dos muçulmanos. Amr, então, distribuiu os livros pelas 4 mil casas de banho de Alexandria para que eles fossem usados como combustível das caldeiras. (SILVA, 2016, p. 1)

Segundo Pimentel, Bernardes e Santana (2007), existem alguns tipos de bibliotecas e sua terminologia depende das funções desempenhadas por ela. Assim, temos biblioteca escolar (situada em escolas), especializada (informação especializada de determinada área), infantil (atendimento a crianças), pública (para a comunidade em geral), nacional (depositária do patrimônio cultural de uma nação), universitária (integrante de uma instituição de ensino superior).
Como lembram as autoras, a tipologia de cada biblioteca nos auxilia na aquisição de um conhecimento mais apurado da comunidade na qual a biblioteca está inserida, evidenciando principalmente suas necessidades e seus anseios por informação e hábitos culturais. Assim, é de suma importância que a biblioteca surja das necessidades da comunidade.

A biblioteca escolar Gutemberg Germano Barbosa

É comum as escolas destinarem um espaço para leitura. Geralmente, esse espaço é chamado de sala de leitura ou biblioteca. No entanto, a experiência nos mostra que na prática muitas das bibliotecas escolares vêm sendo utilizadas inadequadamente. Como observamos, a biblioteca é usada como simples depósitos de livros ou guarda entulho da escola. Com relação à questão administrativa, também é comum encontrarmos à frente das bibliotecas escolares pessoas que, apesar de extrema boa vontade, não têm a menor aptidão para lidar com livros ou com o público. Por essa razão, é necessária uma grande força-tarefa para transformar a biblioteca em um espaço ativo para melhorar os índices de leitura dos alunos. E isso envolve todos os profissionais da educação, não somente os professores de Língua Portuguesa. A biblioteca pode ser palco de diversos eventos, como contação de história, representação teatral, jornada pedagógica, concursos literários, recitais poéticos etc. Assim, como afirmam Pimentel, Bernardes e Santana (2007),

A biblioteca escolar não deve ser só um espaço de ação pedagógica, servindo como apoio à construção do conhecimento e de suporte a pesquisas. Deve ser, sim, um espaço perfeito para que todos que nela atuam possam utilizá-la como uma fonte de experiência, exercício da cidadania e formação para toda a vida.

A biblioteca da escola Tertuliano Maciel leva o mesmo nome do ex-secretário municipal de educação, Gutemberg Germano Barbosa. Existe há mais de dez anos, ocupando uma sala específica. O espaço da biblioteca é bastante pequeno e não comporta muitos alunos. Muitas vezes os alunos ficam fora da biblioteca para fazerem a leitura, ou em pé na sala, pois a quantidade de cadeira é insuficiente para atender as salas de aula e a biblioteca.

O espaço físico comporta no máximo vinte alunos em pé, mas sentados em cadeira o número é bem menor. Há em torno de oito prateleiras de livros, duas mesas redondas com quatro cadeiras cada e uma mesa para a pessoa que assume a função de bibliotecária. No acervo encontramos livros de literatura infanto-juvenil, livros do professor, dicionários etc. Faz tempo que a biblioteca não recebe livros novos em quantidade significativa. Isso tem sido uma reclamação dos alunos, pois os mesmos se queixam de que os livros da biblioteca são antigos e que não há títulos novos.

Em meados de maio de 2017, quando o Projeto Desengaveta Meu Texto começou, os livros da biblioteca eram organizados nas prateleiras pelo número da catalogação. Isso era bastante dificultoso, pois os alunos não conseguiam identificar os livros por gênero literário.

Uma das ações do Projeto é a valorização e conservação da biblioteca escolar, assim, traçamos metas a curto prazo para organizar a nossa biblioteca. Em primeiro lugar, levamos nossos alunos no mês de setembro para conhecerem algumas bibliotecas púlbicas, a exemplo da biblioteca da Universidade Estadual da Praíba/UEPB, a fim de que o exemplo de outras bibliotecas nos inspirassem.

Após a visita, discutimos em sala de aula algumas alternativas de melhoria para a nossa biblioteca. Em primeiro lugar, os alunos fizeram várias visitas a biblioteca a fim de conhecerem melhor o seu acervo. Organizamos também passeios ao ar livre a fim de proporcionar atividade diferenciada de leitura e conhecimento dos títulos disponíveis no acervo:

Em segundo lugar, organizamos a forma de disposição dos livros nas prateiras. Antes, pelo número de catalogação, agora, por gênero literário. Dividimos nossas turmas em grupos de trabalho e no horário da aula, ou horário oposto, os alunos cumpriam as seguintes atividades: organização do acervo, catalogação digital, fotografar e divulgar o acervo nas redes sociais. Sob a orientação da professora ou da pessoa que trabalha na biblioteca, as atividades foram se desenrolando com sucesso:

Após três meses de trabalho, consigamos digitar e fazer a catalogação (antes o registro de catalogação de livro era feito de forma manual em cadernos) de mais de 200 títulos de livros, construímos uma página no Facebook para divulgação dos títulos e publicação de resenhas dos livros escritas pelos alunos:

Por fim, reconhecemos que ainda há muito a ser feito para tornar a biblioteca escolar num espaço mais dinâmico, de aprendizagem e indispensável na formação do alunado. Através da biblioteca, o aluno pode aguçar a sua imaginação, a curiosidade e o senso crítico. Válio (1990) define biblioteca escolar como uma instituição que organiza a utilização dos livros, orienta a leitura dos alunos, coopera com a educação e com o desenvolvimento cultural da comunidade escolar e dá suporte ao atendimento do currículo da escola. É assim que entendemos o espaço da biblioteca e nessa direção que vamos buscar melhorias.

Patrícia Rosas, professora de Língua Portuguesa

 

Referências

PIMENTEL, Graça; BERNARDES, Liliane; SANTANA, Marcelo. Biblioteca escolar. Brasília: Universidade de Brasília, 2007.
VÁLIO, Else Benetti Marques. Biblioteca escolar: uma visão histórica. Transinformação, Campinas, v. 2, n. 1, p. 15-24, jan./abr. 1990.

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